28.5.07

Todos os lados do SOFRIMENTO

Fim de semana dos mais produtivos. Chopp com os amigos; uma balada marcante, com direito a "bombeiros de paletó, kk"; acordando as 17h de sábado com um leve sorriso no rosto. A noite, um papo madrugada adentro em ótima companhia e dando muitas risadas com a seleção "Big Brother Salvador", faltou só a cerveja Segredo, kk!!

Domingão relax, porque hoje ia pegar um trabalho chatérrimo. Mas, por que só ver o lado ruim das coisas né. Falando nisso, uma questão esteve em pauta nos papos do 'finds": O "sofrer", vou colocar parte de minha forma de encarar isso:

“O sofrimento é um fato da vida. O sofrimento não é acidente nem castigo. Perguntar por que sofremos é igual a perguntar por que respiramos.” Buddha

Talvez em algum momento da minha vida eu não tenha sofrido. Lembro-me de ter tido esse sentimento como sombra no meu caminhar !

Muitas pessoas ao meu redor, reais e virtuais, falam sobre o medo de sofrer, mas se esquecem que DEIXAR DE VIVER TAMBÉM É SOFRER. Acabam abandonando sonhos, amores, viagens , amizades, relacionamentos...

Quando eu não vivia essa vida “rotulada”, sofria como um condenado. Chorava por está vendo o tempo indo, a idade vindo e nada acontecendo. Não entrava no “meio” para evitar qualquer tipo de sofrimento a mim, meus amigos e familiares. Mas isso não evitava meu sofrer, que era calado, silencioso, só meu!

Pensando nesse assunto me vem a mente uma mãe quando vai ter um filho. Ela não fica nove meses pensando na dor do parto, se apega a alegria de ter um filho, ao amor que dará a ele e aos momentos de alegria que terá ao ser chamada de “mãe”; ao ver o filho correr; sorrir. Tivesse ela só pensando no sofrimento do parto, não teria o filho e também não viveria a felicidade que ter um filho traz.

Pensar em estar velho também traz sofrimento, mas antes de sermos velhos, fomos jovens. Saímos, bebemos, rimos, namoramos, casamos, separamos. Para termos chego a velhice, vivemos a juventude e tudo que ela nos traz.

Quando minha mãe morreu, o sofrimento foi enorme, sendo filho caçula, que sempre esteve "na barra da saia" era como se faltasse o meu chão, a base, a referência de um amor incondicional. No meio dessa tormenta que angustiava meu coração, eu lembrava da mulher que ela foi, dos momentos de carinho que ela me deu, do colo quentinho, do beijo molhado, do choro dela ao me ver terminar os estudos. Então, eu sofria naquele momento, mas tinha a consciência que vivi com um anjo ao meu lado. Não me sucumbi ao sofrimento, ergui minha cabeça e mudei minha vida, para melhor!

Quando sofri por amar, tive medo, queria me fechar dentro de mim e evitar me entregar novamente. Mas não foi o que eu fiz. Olhei para dentro de mim e para as coisas que aconteceram, agradeci por ter vivido aquilo tudo. Transformei o que poderia ser amargura numa amizade sincera, que me possibilita momentos hilários, que me abriu as portas para conhecer pessoas ainda mais maravilhosas, como é estar conhecendo o Razi, Leandro e o Foxx. Ajudou-me a definir minha vida sexual, a diminuir minhas angustias, a trazer para mais perto de mim a minha amiga, baladas, viagens , companheirismo, VIDA que eu não tinha antes.

Não me dou mais ao luxo de me fechar para evitar qualquer sofrimento hipotético. Privar-me de viver já não posso e não devo mais. Também parei de pensar nas possibilidades ruins de tudo que vem quando estamos na vida gay/bi, elas só trazem desesperança. Prefiro a imagem do lado bom, do beijo mais quente, do fazer proibido, do olhar questionador, da leve duvida se o fulano curte ou não...

Entregarei-me quantas vezes for necessário, porque antes de pensar que pode me trazer sofrimento, eu vou me apegar a possibilidade de me trazer alegrias. Mesmo o sofrimento mostra caminhos. Alguns não conseguem vê-los, outros fazem dele um chão firme para segui adiante com mais força.

Sofrer é uma conseqüência que pode ocorrer ou não, ás pessoas que se dispõe a viver. Atualmente só quero isso, VIVER. Não quero pensar na queda do avião, quero pensar na beleza do meu destino e nos momentos que terei. Não quero deixar alguém que me interessa por medo de sofrer, quero imaginar-me deitado a seu lado e vivendo bons momentos.

A forma como olhamos para a vida influencia em muito os fatos que ocorrerão.

“Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima”, todos nós temos essa capacidade!

10.5.07

ALGUÉM VOLTOU: "O AVENTURA"

Antes de existir o personagem "Jovem Aventureiro" que gritava para sair de dentro de mim, existia um cara chamado Axxxx. Envolto em sua revolta própria por ser gay, esperando o tempo passar, para todo aquele desejo reprimido terminar.

Na sua esperança por ficar livre da "maldição de ser gay" , ele pos na cabeça que transando com uma mulher, estaria livre, curado e que sua vida seguiria como a de tantos milhões de pessoas "normais" que gostam do sexo oposto.

Brigando com Deus a cada dia que ia para a cama. O questionando por ser dessa forma, o odiando por ter deixando aquele cara, que tanto faz e fez pelos outros num labirinto, sem esperança de ser feliz um dia.

O tempo passou, as mulheres também passaram, mas o desejo mesmo, ficou. Nessa angustiante caminhada, a revolta se apoderava de sua alma, o desespero também. A sensação de que estava deixando a vida passar em branco corroía a tua alma, mas por uns anos, ele ainda continou nesse abismo, esperando a luz divina tomar forma e o transformar.

Ela nunca veio para esse propósito, mas de certa forma apareceu. Iluminou novos caminhos, que primeiro tinha que ser virtuais, para depois serem reais. Nesse caminhar, o jovem que gritava dentro do Axxxx tomou forma e fez a vida da matriz original mais feliz, mostrou a ele outros iguais, e como é bom caminha do lado de semelhantes.

O Axxxx passou reclamar menos e viver mais. O jovem preso tomou mais consistência, por seus amigos foi nomeado, apelidado e aceito. O jovem preso, agora solto tem amigos que os Axxxx não teria.

Penso que esta foi a melhor mudança que tive desde que me aceitei da forma que sou. A luta e a pena que tinha de mim mesmo, se foi, junto com muitos fantasmas que andavam comigo. Aquele que sempre reclamava de ser assim, passou a ser feliz sendo assim. As lamurias cedeu lugar a experiencias de vida. O medo cedeu lugar a coragem, a aventura. Os fantasmas, esses viraram camaradas e pouco aparecem na vida dos amigos que dividem o mesmo corpo, o Aventura e o Axxxx.

No fim, quem realmente escreve neste blog é o Aventura, que passou a ser tão importante como o cara real. O real pode viver sem o virtual, mas incompleto. O escrevente vai ter novas histórias e menos lamentações a postar. Aquele que lamentava morreu e foi enterrado. Amém!!